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Discreta e reservada na vida, ousada e romântica na escrita. Uma aparente contradição que a diva americana do suspense articula entre a variedade de personagens e o arrepiante esculpir da intriga.
«Como. Durmo. Escrevo. Monto a cavalo.»
Tami Hoag
Uma afirmação de simplicidade em pleno contraste com imaginação e suspense que aplica aos seus romances. Tendo começado por editar em 1988 «The Trouble With J.J.», opta por uma viragem temática com a edição, em 1990, de «O Perigo Espreita». Considerado o seu primeiro romance de suspense, a escritora passa do romântico quebrar de corações ao enregelar das emoções. Partindo de personagens fortes e de uma intriga tecida a mistério, crime e suspense, Tami Hoag mantém o leitor cativo até à última página – até ao desenlace final.
Natural do Minnesota, filha de um vendedor de seguros, casa com apenas 18 anos de idade e, enquanto o marido termina a sua formação académica, Tami Hoag sobrevive entre trabalhos. Treina cavalos, distribui jornais, tenta escrever mais de trinta palavras num minuto enquanto dactilógrafa, mas é a escrita que desde sempre a fascina. Hoje aponta «The Long Goodbye», de Raymond Chandler, como o seu livro favorito mas foi a partir da leitura de «The Wolf and the Dive» que ensaiou um primeiro texto com princípio, meio e fim. Com o dinheiro do seu primeiro sucesso, o mencionado «The Trouble With J.J.» (1988), compra um computador. Escreve então «Magic», «Sarah Sin», e faz uma primeira incursão nos domínios do suspense com «O Perigo Espreita», «Águas Calmas» e «Paraíso das Trevas». Com «Pecados na Noite», «A Mão do Pecado», «Falso Alarme» e «Barreiras Ocultas» assume definitivamente uma viragem do romance para o thriller. Um nova opção que a autora não hesita em justificar.
«Foi uma progressão gradual do meu trabalho. Enquanto escrevia pequenos romances fui adicionando um pouco de suspense em pano de fundo e, à medida que fui crescendo como escritora e queria fazer melhor, criei histórias mais complexas e aprofundadas, cheias de suspense.»
Tami Hoag, January Magazine
Caminho que aplica e aperfeiçoa em edições posteriores. Em «Prazer de Matar» o lendário agente do FBI, John Quinn, tenta apanhar um bizarro serial-killer, para em «Dust to Dust» levar o crime ao próprio Departamento de Assuntos Internos nos EUA. Em 2004 publica um dos mais aguardados dos seus títulos, «Dark Horse». Misturando os seus dois mundos de eleição, a equitação e a escrita, conta o rapto de um pequena rapariga investigado por Elena Estes. Passados dois anos volta a surpreender com «Matem o Mensageiro, um fabuloso thriller em que usa as ruas de Los Angeles como cenário.
«Faço o seguinte - sei qual é o cenário, sei qual é o catalizador da história e tenho uma ideia de até onde quero ir. Mas praticamente deixo as personagens à solta e deixo-as continuarem a história. E limito-me a assistir. Porque então surgem possibilidades que eu não tinha visto.»
Tami Hoag, January Magazine.com
Calma e reservada, Tami Hoag vive hoje num quinta em Charlottesville, na Virgínia, onde se dedica ao seu trabalho e aos animais que animam a casa. Cavalos e cães parecem garantir o equilíbrio que rompe num metódico vasculhar da mente criminosa e dos motivos nem sempre esclarecidos do serial-killer. Para além de se dedicar à leitura de obras sobre psicologia criminal, acompanha alguns casos de criminalidade de perto. Antes de escrever os seus livros pesquisa entre casos resolvidos pelo FBI e analisa as suas técnicas de investigação chegando mesmo a entrevistar alguns agentes familiarizados com o crime. Feito o trabalho de campo, Tami Hoag parte da construção das personagens para chegar a uma intriga de mistério. Não planeia, afirma, deixa-se surpreender pela escrita. Certo é que, num meticuloso crescente de passos e suspeitas, encontra quase sempre um inesperado final a fazer justiça ao estatuto de diva do suspense que obteve nos EUA.