No crioulo guineense, mindjer garandi é a mulher idosa, sábia e destemida, predicados que Benedita Estêvão acumulou, ao longo dos seus cerca de noventa anos de vida. Foi educada na moral salazarista. Preparou-se para a sobriedade, quando chegaram os primeiros reveses. Depois, partiu para África e cumpriu o seu sonho de amor. Assistiu ao último acto do colonialismo. Quando regressou, embrenhou-se no trabalho e triunfou, e quando tudo se perdeu, preparou-se para uma vida de rotinas e modéstias. Mais uma vez foi surpreendida por um grande amor que culminou numa tragédia. Chegada a reforma, pôs em andamento novos projectos e não deu tréguas a uma doença devastadora. «A minha vida dava um romance», foi o que disse quando conheceu o escrevinhador das suas memórias.